Por Vinicius Romão
Sob supervisão de Érika dos Anjos|
No dia 13 de maio, ocorreu no auditório Adm. Gilda Nunes, na sede do CRA-RJ, o 1º Seminário de Temas Emergentes sobre Trabalho e Empregabilidade. O evento reuniu profissionais de diversas áreas da Administração e debateu temas como IA, fim da escala 6×1, requalificação profissional e o papel dos sindicatos no cenário trabalhista, proporcionando um ambiente de grande aprendizado e profundas reflexões.
A programação contou com duas mesas-redondas temáticas. A primeira, intitulada “Automação do Trabalho: os impactos e desafios do mundo corporativo”, foi mediada pela Adm. Ana Shirley França, conselheira e coordenadora da Comissão Especial de Trabalho e Empregabilidade do CRA-RJ.
Rodrigo Costa dos Santos, gestor de TI na Eletronuclear S/A, abriu as apresentações abordando o boom das IAs no mercado de trabalho e refletindo sobre o processo evolutivo da automação corporativa desde os anos 60.
“A Inteligência Artificial já existe e é debatida desde 1956. Agora, temos tecnologia, hardware e poder computacional para fazê-la acontecer. Em teoria, ela já existia”, afirmou Rodrigo, acrescentando ainda que ‘o grande diferencial foi a IA generativa, que, inserida no campo do machine learning e apoiada em bases neurais, passou a gerar conteúdo novo’.
O Tecnol. Regis de Souza de Carvalho, diretor da Divisão de Administração do Detran-RJ e membro da Comissão organizadora do evento, deu prosseguimento
às apresentações. Ele debateu a evolução histórica da automação e o que essa transformação significa para a empregabilidade atual, além do que isso exige do trabalhador dos dias de hoje.
“Lá atrás, tínhamos a questão de big data e machine learning. Tudo isso desencadeou na IA de hoje. É uma junção desses temas. Percebemos, então, que a IA generativa veio para ficar, enquanto a IA tradicional focava mais na redução de custos operacionais”, esclareceu.
Já o Adm. José Antônio Barros, especialista em implantação de projetos de RH, finalizou a primeira mesa-redonda debatendo os impactos concretos da automação no cotidiano profissional, a partir de uma trajetória de quem atravessou décadas de transformação tecnológica. Para ele, o cenário de crise econômica global pressiona as empresas a reduzirem custos, o que acelera a adoção da IA e da automação.
“[Em um cenário de crise econômica,] o empresário precisa reduzir o custo para se manter competitivo. E para reduzir, alguns entram no ‘modismo’: ouviram falar e começam a aplicar IA e automação, mas às vezes sem ter uma fundamentação”, analisou.
Escala 6×1
A segunda mesa-redonda, mediada pelo conselheiro e diretor de Administração e Finanças do CRA-RJ, Adm. Miguel Marun, teve como tema principal a PEC 148/2015: mudanças na jornada de trabalho e seus efeitos. Este bloco trouxe reflexões valiosas sobre os impactos das possíveis alterações nas relações trabalhistas com o fim da escala 6×1, a produtividade, a qualidade de vida dos trabalhadores e a organização das empresas dentro desse cenário.
Manoel Vieira, secretário Municipal de Trabalho e Renda da Cidade do Rio de Janeiro, iniciou os debates trazendo uma perspectiva histórica da relação entre trabalho e trabalhador no Brasil.
“Precisamos entender que, desde o período dos indígenas e povos originários até o período escravocrata, temos uma relação construída em que o tempo do trabalho não é do trabalhador, e sim de seu senhor. Isso vai, de uma certa maneira, perpassando pelas gerações até chegar nos dias de hoje, onde temos uma relação de trabalho que é muito opressora”, sintetizou, apontando ainda essa cultura organizacional como uma das causas do adoecimento de trabalhadores e, consequentemente, aumento de afastamentos.
Marcio Lopes Cordero, presidente da Comissão de Direito Sindical da OAB-RJ, deu seguimento ao tema, debruçando-se sobre a disputa legislativa histórica em torno da redução da jornada de trabalho no Brasil e os mecanismos legais que, na prática, contrariam esse avanço.
“O mesmo excesso de jornada que gera o adoecimento é o que se tenta combater com essa nova legislação”, pontuou.
Encerrando as apresentações do dia, André Braga, professor da FGV em cursos de formação executiva, falou sobre a complexidade da implementação do fim da escala 6×1,
argumentando que a legislação não pode ser aplicada de forma uniforme sem considerar os diferentes portes das empresas.
“O fim abrupto da escala 6×1 não é apenas uma readequação de horários, mas um choque assimétrico de viabilidade financeira”, concluiu.
O seminário reforçou o compromisso do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro com a promoção de debates relevantes para a Administração e para a sociedade, incentivando reflexões sobre os desafios e as transformações do mundo do trabalho. Ao reunir especialistas de diferentes áreas, o evento proporcionou um espaço de troca de experiências e construção de conhecimento sobre temas que impactam diretamente trabalhadores e as organizações no país.
O evento completo está disponível no YouTube, no canal oficial do CRA-RJ, e você pode acessá-lo clicando aqui.











