Por Érika dos Anjos|
No Dia Internacional da Mulher, o debate sobre a presença feminina nas organizações ganha uma camada extra de profundidade quando olhamos pelo prisma de quem entende de gente. No Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro ou no topo de consultorias internacionais, as mulheres não estão apenas ocupando cadeiras; elas estão redesenhando a forma como as empresas se conectam com seus talentos.
Para entender essa evolução, quem sabe revolução, conversamos com duas Administradoras que são referências no setor de Recursos Humanos: Rosangela Arruda, conselheira do CRA-RJ e especialista em fatores humanos; e Dra. Ana Maria Carvalho, CEO da AC Consulting e palestrante internacional, que falam com sinceridade sobre suas trajetórias, desafios e expectativas para o futuro.
Começando pelos caminhos percorridos, ambas revelam que a Administração é, antes de tudo, uma escolha baseada em conexões. Para Ana Maria, a jornada começou pelo desejo de entender como as organizações funcionam e como as pessoas crescem nelas.
“Sempre enxerguei a Administração como uma área que vai além de processos e números”, afirma.
Já para Rosangela, a semente da gestão de pessoas foi plantada dentro de casa, por meio de sua avó paterna.
“Ela mantinha todos os familiares unidos e cuidava para que as intrigas fossem resolvidas com respeito. Ver esse ambiente me conduziu à escolha pelo RH”, relembra a conselheira, que hoje aplica essa mesma busca pela harmonia e saúde emocional em “times” corporativos.
Porém, essa estrada não foi isenta de obstáculos. Ana Maria destaca a constante necessidade de provar competência em espaços majoritariamente masculinos.
“Esses desafios fortaleceram minha resiliência e meu compromisso em incentivar outras mulheres a acreditarem no seu potencial”, pontua a CEO.
Essa também é a opinião de Rosangela, que ainda reafirma a importância do equilíbrio entre autoridade e empatia, o coração do empoderamento feminino no trabalho, defendendo uma liderança humanizada centrada na credibilidade.
“Muitas vezes tenho que mostrar a minha vulnerabilidade para que o cliente perceba que estamos no mesmo lado”, explica a consultora, reforçando que a assertividade e a maturidade emocional são as chaves para curar as “dores” das empresas.
Quando o assunto é o amanhã, as duas Administradoras concordam que o discurso de diversidade precisa sair do papel. Ana Maria alerta que, embora existam avanços, as mulheres continuam sub-representadas no topo.
“O desafio agora é transformar intenção em ações concretas que garantam oportunidades reais”, defende.
Para as jovens que estão ingressando nas cadeiras de Administração, seja nas universidades ou cursos técnicos, Rosangela deixa um roteiro prático:
“A profissional precisa entender de pessoas, mas também de negócio. É necessário interpretar o People Analytics e usar a IA a seu favor, sem perder a comunicação assertiva. Como diz o poeta Antonio Machado: ‘o caminho se faz ao caminhar'”, sentencia.
Consciência e Legado
A data de hoje, 8 de março – Dia Internacional da Mulher, é um convite à consciência e à valorização das contribuições femininas, unindo todos, inclusive os homens, na construção de um mundo melhor.
Para isso, nossas entrevistadas deixam um recado especial para quem busca e luta por seu lugar ao sol:
“É preciso trabalhar com empatia e assertividade mantendo sempre o equilíbrio emocional, para que as próximas gerações de mulheres, encontrem um caminho já pavimentado com mais respeito, apoio mútuo e chances reais de brilhar. Que as lideranças femininas sejam sempre embasadas na competência técnica e comportamental, buscando a equidade em todos os níveis. A busca incessante do papel das mulheres gestoras que estão atuando hoje no mercado é não esmorecer diante dos imprevistos que as vezes nos desanimam, mas seguir desbravando com leveza não por causa de, mas sim apesar de – não importa o que seja. Essa é a minha escolha.”, Adm. Rosangela Arruda.
“É um momento para reconhecer conquistas importantes, mas também para refletir sobre os caminhos que ainda precisamos construir. Mais do que uma celebração ou um alerta isolado, vejo a data como um convite à consciência, ao respeito e à valorização das contribuições das mulheres na sociedade e nas organizações. Juntos, mulheres, homens, cidadãos na construção de um mundo melhor. Simples assim”, Adm. Ana Maria Carvalho.
Para a jovem estudante ou para a profissional que já atua no mercado, ver trajetórias como as delas é entender que o mercado de trabalho deve ser composto por lideranças que equilibram o rigor dos números com a sensibilidade da gestão humana. Elas são o espelho de que é possível, sim, ocupar espaços de poder, ser conselheira, ser CEO e, acima de tudo, ser referência técnica.
Feliz Dia Internacional da Mulher!











