Jorge PastoreO Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro realizou uma série de entrevistas com os palestrantes confirmados para o XIV Fórum Internacional de Administração,   que acontecerá nos dias 18,   no Rio de Janeiro.

Abrindo os trabalhos, o entrevistado foi o especialista na área de pesquisa, ensino e consultoria nas áreas de relações do trabalho, emprego, recursos humanos e desenvolvimento institucional, José Pastore.  Durante o XIV FIA, Pastore será um dos responsáveis pelo debate  da Palestra Magna de número 7, com o tema ‘As relações de trabalho nas cadeias globais de valor – a re-regulamentação necessária’.

CRA-RJ: Quais são para o senhor os desafios a serem enfrentados na re-regulação das relações de trabalho nas cadeias globais?

José Pastore: Seja qual for a nova forma de inserção dos trabalhadores nas cadeias globais de valor, uma coisa é certa: eles precisam de proteções básicas no campo da saúde e previdência social. Para os profissionais de renda alta e boa educação, recomenda-se que tais proteções sejam garantidas pela via dos seguros individuais. Párea os de renda mais baixa e menor educação, é imprescindível o papel do Estado. Mesmo aqui, porém, os planos de saúde e previdência deveriam se basear no sistema de capitalização: quem poupa mais tem mais proteção. Para os muito pobres, há que se dispor de um sistema de renda mínima e proteção 100% garantida pelo Estado.

CRA-RJ: O senhor acredita que as mudanças decorrentes do processo de globalização influenciaram nas relações de trabalho?

Pastore: Influenciam de modo profundo. As novas formas de produzir exigem novos tipos de contratação. Uma parcela grande dos profissionais trabalha em empregos tradicionais (por prazo indeterminado). Mas há uma parcela crescente que trabalha por tempo determinado, por projeto, por obra certa, por empreita, etc. Estas formas de contratação não são contempladas pela nossa CLT que se destina apenas ao primeiro tipo.

CRA-RJ: Por que a necessidade de uma re-regulação dessas relações de trabalho?

Pastore: Porque o verdadeiro dono do emprego nos dias atuais é o consumidor. Este quer qualidade crescente a preços cadentes. É um grande desafio. Para atender bem ao consumidor, as empresas precisam contar com flexibilidade para trabalhar, criar novos produtos e inventar novos processos. 

CRA-RJ: Quais são suas expectativas em relação a mudança nessas relações de trabalho? O mercado e os profissionais estão preparados para tal?

Pastore: Penso que será uma mudança lenta. Mas, vai acontecer. Um rimo mais intenso pode chegar no momento em que a perda de mercado por falta de competitividade se agravar.