Por Tiberius Drummond|

O Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro atravessou o atlântico para discutir sobre “Administração Disruptiva e a Sustentabilidade das Organizações”, durante o 4º Congresso de Administração dos Países de Língua Portuguesa, nos dias 8 e 9 de junho. Ao vivo, o evento foi transmitido diretamente de Lisboa, Portugal, e pode ser assistido aqui.

Ao longo da programação, especialistas da comunidade lusófona discutiram como as transformações tecnológicas, entre elas a inteligência artificial, podem ser conciliadas com a responsabilidade socioambiental, a ética e a sustentabilidade organizacional. Os palestrantes também ressaltaram a necessidade das lideranças abandonarem modelos tradicionais e rígidos para adotar uma postura baseada em aprendizado contínuo, inovação e agilidade estratégica.

A abertura do congresso foi conduzida pelo presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, e pelo Adm. André Marini, delegado do Conselho nos países de língua portuguesa.

Adm. André Marini ressaltou o valor do profissional de administração diante dos novos paradigmas do mercado. Segundo ele, com as mudanças provocadas pelos avanços tecnológicos, a administração assume um papel fundamental na tomada de decisões em um mundo mais consciente das questões ambientais e sociais. “A sustentabilidade se tornou um fator estratégico capaz de influenciar a competitividade”.

– Empresas que geram valor econômico sem considerar os impactos sociais e ambientais, enfrentam questionamentos cada vez maiores em um mercado que exige responsabilidade, transparência e compromisso com as futuras gerações – ressaltou Marini.

Na palestra de abertura, intitulada “A bússola e o radar”, Wagner Siqueira apresentou uma análise crítica sobre a moralidade corporativa, a sustentabilidade e o atual cenário geopolítico, propondo uma revisão de conceitos tradicionalmente adotados pelas organizações.

O presidente do CRA-RJ também abordou o que chamou de “novo ESG”, estruturado a partir da necessidade de sobrevivência e adaptação das empresas. Segundo ele, nessa nova realidade, o pilar ambiental passa a envolver questões econômicas, como a inflação e a fragmentação das cadeias produtivas. Já o lado social concentra-se em diferentes dimensões da segurança, incluindo a energética, a alimentar e a cibernética. Por fim, a governança torna-se cada vez mais influenciada pela geopolítica.

Na sequência, Edson Sá Teles, corregedor-geral da Petrobras, apresentou como uma corregedoria eficiente pode contribuir para a sustentabilidade corporativa por meio da adoção de inovações e boas práticas na rotina da maior empresa estatal brasileira.

Durante a palestra, ele destacou a utilização da inteligência artificial na análise de grandes volumes de dados e a importância de medidas rigorosas de compliance e ESG. Sá Teles também abordou iniciativas voltadas à diversidade, como a meta de garantir que 30% dos cargos estatutários de liderança sejam ocupados por mulheres até 2026, além da ampliação da presença de pessoas negras em posições de liderança.

No encerramento do primeiro dia, o Adm. Hélio Meirim, CEO da HRM Logística, refletiu sobre como líderes e organizações devem enfrentar as rápidas transformações do mercado.

Para o especialista, a capacidade de liderança é mais determinante para o futuro das organizações do que a própria tecnologia. Como exemplo, ele relembrou o caso da Blockbuster, que recusou uma proposta de parceria com a então pequena startup Netflix e, posteriormente, não conseguiu acompanhar as mudanças no mercado audiovisual. Segundo Meirim, o que ameaça empresas consolidadas não é apenas a obsolescência tecnológica, mas também a resistência de seus líderes à mudança.

Realizado pelo CRA-RJ, o congresso contou com o apoio da IDN – Intelligence Development Networking, ApexBrasil, Brazilian Look e Conquist. O encontro também reuniu representantes de instituições nacionais e internacionais, como Humberto Oliveira, vice-presidente do Instituto Superior Miguel Torga, de Coimbra, em Portugal; Tomás Fuel, diretor da Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique; e João Coelho, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no Ceará.