Presidente Wagner e André Marini

Por Tiberius Drummond|

O segundo dia do 4º Congresso de Administração dos Países de Língua Portuguesa contou com a palestra, “Equidade de gênero na Administração: percepções, experiências e práticas institucionais”. O painel foi ministrado pela Adm. Rosangela Arruda, conselheira do CRA-RJ e CEO da LHR Consultoria, e pela Adm. Ana Carvalho, diplomata civil, escritora e palestrante internacional. A programação foi realizada pelo CRA-RJ em Lisboa, Portugal, e pode ser assistida na íntegra aqui.

As administradoras apresentaram resultados de uma pesquisa sobre a realidade das mulheres na profissão, revelando um forte contraste entre a percepção dos homens e as experiências relatadas pelas profissionais.

Adm. Rosangela Arruda – conselheira do CRA-RJ e CEO da LHR Consultoria

Enquanto quase 60% dos homens ouvidos acreditam que há igualdade nas oportunidades de promoção e 64,1% afirmam não identificar barreiras estruturais enfrentadas pelas mulheres. No entanto, as respostas femininas apontaram uma realidade diferente. Entre as participantes femininas, 61,7% relataram interrupções frequentes ou a apropriação de suas ideias por homens, enquanto mais de 50% afirmaram já ter sofrido assédio.

A pesquisa também identificou diferenças salariais no exercício de funções equivalentes, relatadas por 51,5% das respondentes, além dos impactos negativos da maternidade sobre a progressão profissional, incluindo casos de demissão após o nascimento dos filhos.

Para transformar esse cenário, as palestrantes propuseram a criação de um observatório permanente da profissão, o fortalecimento dos canais de denúncia, o combate ao etarismo e a inclusão de debates estruturados sobre diversidade e liderança feminina nos currículos universitários. Segundo a pesquisa, apenas 12% dos estudantes relataram ter tido contato com esses temas durante a graduação.

Higor Esteves, vice-presidente do Comitê Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa -CPLP

Na sequência, Higor Esteves, vice-presidente do Comitê Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), apresentou o potencial econômico do bloco lusófono, que, segundo ele, ainda é pouco aproveitado.

Segundo o palestrante, caso a CPLP fosse considerada um único país, seria a oitava maior economia do mundo, reunindo quase 300 milhões de habitantes em quatro continentes e movimentando aproximadamente US$ 2,3 trilhões.

Igor também apontou cinco pilares fundamentais para o desenvolvimento das relações entre os países lusófonos: inovação, proximidade linguística e cultural, gestão do conhecimento, redes empresariais internacionais e tecnologia.

Segundo ele, os países não devem competir internamente, mas buscar a complementaridade entre suas economias. Essa cooperação poderia reunir o parque industrial e o agronegócio brasileiros, a tecnologia e os serviços portugueses, os recursos naturais e energéticos de Angola e Moçambique e a posição estratégica de Cabo Verde como polo logístico.

Douglas Lima, fundador da Brazilian Look – Gestão de Negócios Internacionais e sócio-diretor da Danfos

Em seguida, Douglas Lima, fundador da Brazilian Look – Gestão de Negócios Internacionais e sócio-diretor da Danfos, falou sobre as profundas transformações ocorridas no comércio internacional nos últimos anos e a necessidade de reinvenção constante das empresas e dos profissionais.

Segundo o conferencista, estratégias baseadas apenas em vantagens cambiais, preços competitivos ou redução de custos logísticos já não são suficientes. O novo cenário global exige compromisso com os princípios ESG, rastreabilidade dos produtos, transparência e geração de impacto social.

Douglas também defendeu que o profissional de Administração deixe de ocupar uma posição periférica nas negociações internacionais e desenvolva uma visão ampla sobre geopolítica e gestão intercultural. Para ele, é necessário estar preparado para negociar “olho no olho” com representantes de outros países e aproveitar as oportunidades proporcionadas pela biodiversidade e pela matriz energética limpa das nações que integram a CPLP.

Encerrando a programação do último dia de congresso, o Adm. Paulo Pizão, gestor ambiental e diretor da Servec Ecologia, apresentou a palestra “Organização e Gestão Ambiental: preservação e equilíbrio econômico-social”. Durante sua participação, ele analisou os desafios e as

Adm. Paulo Pizão, gestor ambiental e diretor da Servec Ecologia

oportunidades relacionados à sustentabilidade nas organizações.

Pizão relembrou os avanços promovidos pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Crimes Ambientais, de 1998. Segundo ele, condutas empresariais antes tratadas com menor rigor passaram a estar sujeitas a sanções mais severas, transformando a forma como as organizações lidam com suas responsabilidades ambientais.

O palestrante também destacou que a atual consolidação das práticas ESG foi construída a partir de décadas de estruturação dos sistemas de licenciamento, fiscalização e controle ambiental.

De acordo com Pizão, a conformidade ambiental pode reduzir custos operacionais e facilitar o acesso aos mercados internacionais, que têm adotado critérios cada vez mais rigorosos para empresas que não conseguem comprovar a sustentabilidade de suas atividades.

Por fim, o evento foi encerrado pelo presidente do CRA-RJ, Wagner Siqueira, que convocou a todos para que o sentimento de união e as discussões culturais se transformem em atividades econômicas práticas e objetivas, fortalecendo o desenvolvimento da CPLP no cenário internacional.