Por Vinicius Romão
Sob supervisão de Érika dos Anjos|

“Assim como o ar que respiramos, a Inteligência Artificial tornou-se fundamental para a sobrevivência das organizações”. Foi com essa afirmação que Ary Bueno abriu sua apresentação no ENCAD 2026. Ele explicou que o “vale” em que vivemos mistura o sol das oportunidades inimagináveis com a sombra das incertezas. Para ele, o desafio de responder quem nos governará nesse novo cenário tem apenas uma resposta: nós mesmos, desde que a Administração assuma o controle.

Para guiar os gestores nessa transição, Bueno apresentou o framework dos “4Ps” da governança: Provocação (romper a inércia da gestão), Propósito (garantir o vetor ético e o uso seguro da IA), Pertinência (filtrar os ruídos e focar no letramento digital cognitivo) e Proposta (acelerar a execução criando ecossistemas híbridos). O palestrante relembrou que o Brasil já possui uma jornada digital consolidada de mais de uma década através do ciclo e-digital, mas advertiu que a rápida evolução tecnológica hoje desafia os pilares de controle da administração clássica.

“A máquina processa, a organização governa e o humano dá propósito”, sintetizou.

A urgência por governança se justifica pelos dados de mercado trazidos pelo especialista. Atualmente, um em cada quatro trabalhadores já está exposto aos impactos da IA generativa. Além disso, o setor enfrenta desafios sociais e estruturais, como a baixa representatividade feminina nas novas contratações para IA (apenas 26%), o medo do futuro entre os jovens (45% acreditam que a tecnologia vai prejudicar suas carreiras) e um déficit projetado de 600 mil profissionais de TI no mercado.

“O Brasil deve produzir inteligência, e a base da inteligência é o capital humano”, defendeu.

Ary também apresentou o case de sucesso da parceria entre a Koru e a Suzano, uma centenária líder global de celulose. Através de uma metodologia de aprendizado intensivo de 180 horas focada em análise de dados e IA, a empresa capacitou mais de 400 colaboradores, resultando na entrega de mais de 60 projetos de IA criados e aplicados pelos próprios funcionários.

Por fim, Bueno destacou que o avanço tecnológico não dispensa o julgamento humano, mas exige sua versão mais elevada através da figura do “arquiteto do hibridismo”. O uso meramente instrumental da IA, sem governança e sem clareza de compliance, traz altos riscos de falhas. Ele concluiu reforçando que o controle dos algoritmos depende exclusivamente de um capital humano intencionalmente preparado para ocupar a cadeira de comando.

Assista ao primeiro dia completo do Encad 2026 aqui.