Por Vinicius Romão
Sob supervisão de Érika dos Anjos|
Aspen Andersen ministrou a palestra “Um Case de Sucesso” no Encad 2026 e apresentou os impactos práticos da tecnologia na VIBRA, e defendeu que a IA exige muito mais do que a simples automação de tarefas: ela demanda o redesenho completo dos modelos de gestão atuais.
Andersen propôs uma reflexão histórica sobre o tempo das transformações sociais. Enquanto a máquina a vapor levou cerca de 80 anos para consolidar a chamada “mecanização da cognição” e eliminar a força física como limitador de escala, a IA impõe mudanças disruptivas em uma velocidade incomparavelmente maior. Diante desse cenário acelerado, o palestrante revelou o questionamento que norteou a virada chave na Vibra: “Se fôssemos começar a empresa hoje, do zero, com a IA disponível, como ela seria?”. Para o especialista, responder a essa pergunta exige das lideranças uma combinação de coragem para mudar e humildade para reaprender.
Essa quebra de paradigmas transforma diretamente as estruturas internas e as trajetórias profissionais. Na visão de Andersen, o modelo tradicional em que o colaborador enxerga apenas a sua própria vertical técnica perdeu espaço para a necessidade de profissionais com visão macro, capazes de orquestrar diferentes ferramentas. A mudança atinge também o desenho das carreiras. “Carreiras são paredes de escalada, não escadas”, comparou o palestrante, explicando que, em um cenário de incertezas, o crescimento profissional não é mais linear e pode exigir passos laterais ou recuos estratégicos para a descoberta de novas rotas.
A reconfiguração atinge o papel do próprio Administrador, que deixa de ser um mero distribuidor de tarefas diárias para atuar como um arquiteto de sistemas, projetando a integração dos fluxos de trabalho com os chamados “esquadrões digitais” de IA. Ao mesmo tempo em que cobra agilidade, o especialista buscou tranquilizar os gestores sobre a ansiedade de acompanhar o mercado.
“Com tantas informações sobre IA, ficamos com a sensação de que o trem já partiu e o perdemos… mas, na verdade, ainda estamos construindo os trilhos”, ponderou, destacando que os modelos e a infraestrutura ainda estão em fase inicial de experimentação.
Andersen também apresentou dados expressivos colhidos na operação da Vibra. O palestrante listou os retornos da aplicação dos algoritmos: redução de R$ 900 milhões no capital empregado em estoque, devido à maior assertividade na distribuição de produtos; retorno de R$ 15 milhões em novos negócios gerados por relatórios de prospecção da IA, que identificaram clientes fora do radar da equipe tradicional de vendas; mitigação de riscos e eficiência.
Ao encerrar, Andersen fez um alerta contra o anacronismo das lideranças corporativas. Ele relembrou as visões que negavam o mercado digital em 1990 e nos anos 2010, apontando que o erro atual é afirmar que “não somos uma empresa de IA”. Para o palestrante, a tecnologia precisa estar integrada a tudo o que as organizações propõem a fazer, transformando os momentos de incerteza e turbulência em janelas de oportunidade para impulsionar a inovação.
O primeiro dia do Encad completo está no Youtube.



