Por Vinicius Romão e Cristiane Muniz
Sob supervisão de Érika dos Anjos|

Na era da transformação digital acelerada, demonstrar que a tecnologia é uma aliada indiscutível dos conselhos profissionais tornou-se uma missão fundamental, pois durante muito tempo, a percepção pública vinculou os órgãos de fiscalização e regulamentação a processos burocráticos e estruturas rígidas. Por isso, o Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro lidera há anos uma verdadeira revolução institucional ao provar, na prática, que a gestão tradicional e a inovação tecnológica caminham juntas, rompendo de forma definitiva qualquer estereótipo deste tipo. Toda essa busca culminou com um estande especial do CRA-RJ na Rio Innovation Week 2026.

Com idealização do presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, o estande proporciona aos profissionais da Administração uma participação vibrante, inovadora e de alto impacto no RIW. Ao colocar o Conselho no centro do maior evento de tecnologia e gestão estratégica da América Latina, a entidade reafirma seu compromisso de abrir portas, integrar a categoria e preparar os profissionais para os desafios intelectuais e tecnológicos do mercado contemporâneo.

“Ver os colegas engajados nas dinâmicas, praticando nos games, participando das palestras e fortalecendo o networking mostra a qualidade, a sociabilidade e o desafio intelectual que preparamos para a categoria. O estande do CRA-RJ na Praça Mauá está de portas abertas e conta com a sua presença nos próximos dias”, declarou o presidente.

Atividades imersivas

Com muito movimento desde as primeiras horas por profissionais, empresários, especialistas e estudantes, o estande do CRA-RJ em sua estreia no evento trouxe uma imersão tecnológica desenhada especialmente para o público.

O grande diferencial do espaço foi a utilização da gamificação. Quem visitou o estande pôde testar suas habilidades em um jogo da memória interativo, desafiando a agilidade e a competitividade dos participantes para alcançar as maiores pontuações e garantir prêmios exclusivos. A dinâmica provou de forma leve e prática que a ciência da Administração se renova constantemente com o apoio de ferramentas digitais.

Pitches

Além da interatividade dos games, a programação de pitches foi um dos grandes destaques do dia, registrando auditório cheio em todas as apresentações. Especialistas de diversas áreas reuniram-se para debater os novos caminhos do mercado:

 

– O pitch que abriu o primeiro dia do estande do CRA-RJ na Rio Innovation Week foi com a Adm. Elaine Saldanha, membro da Comissão Especial em Administração de Serviços de Saúde do CRA-RJ e especialista em Segurança do Paciente.

Sua apresentação abordou o impacto da gestão de dados na eficiência hospitalar e no atendimento ao paciente, e destacou que, apesar de termos hoje ferramentas valiosas como IA, IoT e Big Data, muitas organizações ainda atuam com diversos sistemas que não “conversam” entre si.

“Dentro de uma mesma instituição, podemos ter ilhas digitais. Por exemplo, um hospital onde o sistema da farmácia não conversa com o sistema do laboratório, da enfermaria, e assim por diante”, analisou Saldanha.

 

– O pitch do Adm. Júlio Loureiro, conselheiro do CRA-RJ e coordenador da nossa Comissão de Logística, tratou de Supply Chain, Omnichannel e mais, mostrando que a logística passou a ser muito mais do que apenas o transporte da mercadoria, tornando-se parte estratégica da competitividade das empresas.

“As organizações estão cada vez mais conectadas, o que faz com que a fluidez de dados se transforme em matéria-prima para a tomada de decisões”, analisou Loureiro.

O pitch do Administrador foi enriquecedor para os profissionais e estudantes presentes, tendo em vista o mercado atual, que cada vez mais busca um profissional que consiga integrar dados, IA, Supply Chain, ESG, análise de dados e muito mais.

 

– Durante o pitch “ Inteligência Artificial e Empreendedorismo: como a IA está transformando a criação e o crescimento dos negócios”,  o Adm. Ricardo Ferreira, membro da Comissão Especial de Trabalho e Empregabilidade do CRA-RJ, nos mostrou que a chegada da IA pode ser uma aliada do empreendedor.

O profissional não precisa ter o domínio dessa ferramenta, porém ele precisa ser uma pessoa curiosa, que se atualiza e que busca conhecer as ferramentas mais modernas. Obviamente, não precisa ser tudo de uma vez, podemos começar pelo básico, como por exemplo o chatgpt.

“É necessário estar em constante atualização, sobre as novas tendências e sempre estar com as redes sociais atualizadas que hoje são imprescindíveis. Além disso, precisamos ter um pensamento crítico, usando a IA como um aliado e com liderança humana”, salientou o professor.

 

– Já o Adm. Anderson Freire, membro da Comissão Especial de Recuperação Judicial, Extrajudicial e Falência do CRA-RJ, comentou sobre o papel do administrador em processos de recuperação judicial e extrajudicial.

Freire destacou que, embora a área pareça restrita à área jurídica, o Administrador tem grande espaço para conduzir esses processos. Ele abordou os desafios da recuperação tradicional (como dispersão da comunicação, custo elevado de logística e o risco de falência), que rompe ecossistemas inteiros conectados à empresa (empregos, fornecedores, gestores) e apresentou a ODR (Online Dispute Resolution) como ferramenta de gestão capaz de otimizar esse processo, com recursos como votações em tempo real, cálculo automatizado de quórum e assinaturas eletrônicas, atuando como facilitadora do acordo entre as partes.

 

– Durante seu pitch, o Adm. Hallison Marques mostrou como IoT, IA e Big Data estão transformando o saneamento no Brasil, saindo de um modelo tradicional (com obras civis, manutenção reativa e processos analógicos) para um modelo tecnológico (com monitoramento preditivo, sensores IoT e gestão em tempo real), capaz de calcular até mesmo o volume captado em mananciais e consumo dos clientes.

Apesar do potencial, ele destacou as dificuldades de infraestrutura no cenário brasileiro, que nem sempre permitem implementar a tecnologia por completo, sendo necessário mapear processos e transformar o que é analógico em digital. Para Marques, “a tecnologia é um motor, e a gestão é o piloto” das decisões, e não existe implantação perfeita: a tecnologia falha, e o setor precisa estar preparado.

Como exemplo, citou o projeto IAguas, atuando preventivamente na Estação do Guandu, com IA na produção de água potável e no combate à geosmina.

Por fim, ressaltou que a perda de água nas estações de tratamento no Brasil ainda é alta e difícil de medir, e que o setor precisa avançar na medição para otimizar o serviço, concluindo que saneamento inteligente não é pauta do futuro, mas do presente.

 

– Quem também marcou presença foi o Adm. Francisco Jovando, com um concorrido pitch sobre a importância do Administrador no processo de parcerias em oportunidades de negócio do Serviço Federal de Processamento de Dados.

A tarefa de apresentar um tema tão denso em um tempo reduzido pode parecer impossível, mas Jovando conseguiu manter sua audiência engajada com um debate profundo mas também acessível. Defendendo a aproximação de entidades privadas com públicas, analisou que há espaço para inovação em todos os setores.

“Inovação não é apenas tecnológica. Podemos ter inovação também em nossos processos de trabalho. Eu acredito que a área pública ainda é muito engessada e rígida, mas ainda assim há espaço para inovar”, avaliou Jovando.

Além disso, o Administrador destacou a importância dos gestores atuais estarem preparados para trabalhar com tecnologia. E destacou a força das pessoas por trás das mais bem sucedidas organizações.

“Não existe um grande CNPJ sem um grupo competente de CPFs por trás”, finalizou.

 

– Durante o pitch “Conexão Brasil e Vale do Silício”,  o Tecnol. Gilvan Bueno trouxe uma reflexão: o Brasil é hoje a maior fábrica de unicórnios da América Latina. Das 26 empresas unicórnio brasileiras, 22 seguem ativas, e nove das doze startups latino-americanas mais bem posicionadas são do brasileiras.

Mas o que estamos fazendo com esse potencial?

Transformar boas ideias em empresas bilionárias é um grande feito, mas o verdadeiro desafio é criar um ambiente que permita o surgimento de novos negócios inovadores, incentive o empreendedorismo, fortaleça a gestão e conecte universidades, investidores e o mercado.

O Brasil já mostrou que tem talento, criatividade e capacidade para competir globalmente. Agora, é preciso investir em educação, inovação, políticas públicas e gestão estratégica para que esses casos de sucesso deixem de ser exceções e se tornem parte da nossa realidade.

Mais do que celebrar os unicórnios que já nasceram, é hora de construir o ecossistema que dará origem aos próximos. Afinal, inovação não é apenas criar empresas bilionárias; é gerar desenvolvimento, empregos, competitividade e impacto positivo para toda a sociedade.

 

– No pitch “MarTech e Persuasão: personalizando com relevância, sem comprometer a confiança”, o Adm. Rafael Moreira Guimarães, professor e membro da Comissão Especial de Marketing do CRA-RJ, discutiu como a persuasão pode desvirtuar a personalização, defendendo que o objetivo não é personalizar mais, mas personalizar melhor.

Ele usou o exemplo de quem tenta cancelar uma assinatura e recebe uma “oferta de última hora, e questionou por que termos e condições nem sempre são claros. Para ele, MarTech (Marketing + Tecnologia) não é só ferramenta de apoio, mas infraestrutura que coleta dados e automatiza jornadas. “MarTech é o meio, IA é o motor, e a decisão do consumidor é o ponto crítico do valor”, refletiu.

Rafael citou as ciências comportamentais, que mostram como somos influenciáveis e vulneráveis a estímulos, e alertou contra práticas opacas que exploram atalhos mentais, e afirmou: mesmo que signifique abrir mão de conversão no curto prazo, a organização deve trabalhar em favor da confiança a longo prazo.