Por Vinicius Romão e Cristiane Muniz
Sob supervisão de Érika dos Anjos|
No segundo dia do Rio Innovation Week 2026, o estande do CRA-RJ no Píer Mauá manteve o ritmo acelerado e provou que a inovação na gestão veio para ficar. Entre disputas acirradas nos jogos gamificados e debates de alto nível sobre transformação digital, o Conselho reafirma seu compromisso sob a liderança do presidente Wagner Siqueira: aproximar a tecnologia do cotidiano dos profissionais de Administração, mostrando na prática que a modernização é o verdadeiro motor da categoria.
“A tecnologia não veio para substituir a gestão, mas para impulsioná-la. Ver o CRA-RJ no centro do maior evento de inovação da América Latina prova que os conselhos profissionais não são estruturas engessadas do passado, mas faróis que apontam para o futuro do mercado. É um orgulho ver o Administrador ocupando esse protagonismo!”, enfatizou o presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira.
Um dos momentos mais marcantes da Rio Innovation Week 2026 foi a palestra do presidente do CRA-RJ, Adm. Wagner Siqueira, em um dos palcos principais do evento. Com o tema “A Bússola e o Radar: O choque entre o ESG, a nova realidade geopolítica e a necessidade urgente de um atualizado contrato social para gestão estratégica”, o líder institucional provocou reflexões profundas sobre as transformações do mundo contemporâneo. Em sua exposição, Siqueira comparou o cenário atual a um “feudalismo digital”, traçando um paralelo histórico entre a dependência do servo da gleba em relação à terra e a submissão moderna às plataformas digitais, que operam sob uma lógica econômica própria e impõem desafios inéditos ao capitalismo tradicional.
Aprofundando o debate sobre governança, democracia e o papel das instituições, o presidente alertou para o risco das corporações que tentam se posicionar como “aristocracias da virtude”.
“As organizações habitam uma dimensão estritamente econômica — sendo, portanto, amorais, e não morais ou imorais. Por isso, valores como o preço de um barril de petróleo ou de uma saca de café são regidos por leis de mercado. O controle da exacerbação da ganância humana e dos excessos econômicos cabe a outras esferas sociais, civis e regulatórias, e não à autoatribuição de papel moral por parte das empresas”, afirmou o Administrador.
Ao conectar ESG, geopolítica e a construção de um novo contrato social para a gestão estratégica, a palestra do presidente do CRA-RJ reafirmou o protagonismo da ciência da Administração nos grandes debates mundiais. Wagner Siqueira concluiu sua fala enfatizando a urgência de compreender esse novo momento da história humana, cujas consequências e desdobramentos já afetam diretamente os rumos da sociedade. A presença de um líder da categoria em um palco de tanta relevância reforça a importância da tecnologia e da inovação aliadas ao pensamento crítico e à responsabilidade social na formação do futuro.
Pitches
Acompanhando a efervescência de ideias e o dinamismo que tomaram conta do espaço, o estande do CRA-RJ voltou a ser ponto de encontro obrigatório para quem busca se antecipar às transformações do mercado. No segundo dia de evento, a nova rodada de pitches trouxe uma seleção plural de especialistas para discutir como a convergência entre dados, tecnologia e estratégia está redefinindo os mais diversos setores da economia. Confira os destaques:
– Bernardo Fajardo, diretor da ANGRAD e professor da FGV, foi quem teve a responsabilidade de abrir o estande do CRA-RJ no segundo dia de Rio Innovation Week.
Com profunda vivência na docência, abordou o papel da ANGRAD (Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Administração) no futuro da profissão do administrador, e destacou a necessidade dos cursos se adaptarem aos novos mundos que a cada dia apresenta novas demandas.
Fajardo também definiu inovação como “a habilidade de criar ou adaptar algo para que tenha valor para o mercado” e defendeu que os profissionais podem (e devem) buscar ativamente se tornarem mais e mais inovadores, sendo essa uma habilidade que pode ser exercitada.
– O Adm. Pedro Schubert, professor da FGV, apresentou aos presentes no stand do CRA-RJ na Rio Innovation Week o conceito da Contabilidade Gerencial. Para Schubert, esse modelo de contabilidade se difere do tradicional, tornando-se inovador.
O modelo tradicional, atrelado às TIs, não oferece a transparência necessária para os gestores, dificultando o processo de tomada de decisões estratégicas, segundo o professor. Na contramão, o modelo gerencial oferece essa clareza, enquanto também atende aos padrões internacionais de qualidade.
“A contabilidade em uma empresa é como o sangue no corpo humano: para funcionar bem, precisa se relacionar com todos os sistemas do organismo”, analisou Schubert.
Seu pitch continuou abordando a importância da matemática financeira nos processos de gestão e o refinamento que essa competência precisa sofrer nas instituições de ensino, na avaliação de Pedro, finalizando com a necessidade de aprimoramento e supervisão contínua, por parte das organizações, sobre seus sistemas integrados de gestão.
– Durante sua apresentação, a conselheira e coordenadora da Comissão Especial de Trabalho e Empregabilidade do CRA-RJ, Adm. Ana Shirley França, destacou que a Inteligência Artificial veio para atuar como uma aliada dos profissionais, e não como uma ameaça. Segundo ela, não devemos temer a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma estratégica, reconhecendo que o valor humano sempre será o principal diferencial. Nesse contexto, o profissional 5.0 deve estar em constante busca por inovação, atualização e desenvolvimento ético, acompanhando as transformações do mercado de trabalho.
Em uma de suas reflexões, Ana enfatizou que o avanço tecnológico precisa caminhar lado a lado com a valorização das pessoas e com a responsabilidade ambiental. Ela ressaltou que as questões ambientais são de extrema importância na atualidade, pois o futuro da humanidade e do planeta depende de decisões conscientes e sustentáveis. Dessa forma, o debate sobre sustentabilidade deve ocorrer em paralelo às discussões sobre tecnologia, inovação e empregabilidade.
Ao abordar a Empregabilidade 5.0, destacou que o profissional do futuro precisa desenvolver múltiplas competências. Dominar apenas habilidades técnicas já não é suficiente para garantir espaço e permanência no mercado de trabalho, tornando o aprendizado contínuo uma necessidade. Além das competências técnicas, habilidades socioemocionais, como paciência, flexibilidade, capacidade de adaptação, inteligência emocional e escuta ativa, são cada vez mais valorizadas pelas organizações, mesmo em um cenário fortemente marcado pelos avanços tecnológicos. Esses atributos permitem que os profissionais utilizem a tecnologia como uma ferramenta de apoio, sem perder de vista a importância das relações humanas e da construção de soluções éticas, colaborativas e sustentáveis.
– A Adm. Ana Maria Martins da Silva, gerente de Registro Profissional do CRA-RJ, apresentou as principais iniciativas do Conselho voltadas à modernização dos serviços e à valorização da profissão.
– No estande do CRA-RJ, o Superintendente-Geral do CIEE/Rio, Luiz Gustavo Coppola, apresentou os principais desafios relacionados à empregabilidade dos jovens e destacou o papel fundamental da instituição na preparação e inserção desse público no mercado de trabalho.Durante sua apresentação, Coppola explicou que o CIEE atua como um importante parceiro dos jovens, oferecendo oportunidades de estágio, aprendizagem e diversos cursos de capacitação profissional. Entre as ações desenvolvidas pela instituição estão orientações para entrevistas de emprego, oficinas sobre como criar e fortalecer o perfil profissional no LinkedIn e cursos de informática, com foco no Pacote Office, contribuindo para o desenvolvimento das competências exigidas pelo mercado.
Além da qualificação profissional, o CIEE também desenvolve iniciativas voltadas à inclusão social e à promoção da diversidade. A instituição realiza o atendimento de pessoas com deficiência (PcD) e, segundo Coppola, conta com aproximadamente 8 mil pessoas com deficiência cadastradas em seu banco de talentos. Ele ressaltou que, ao contratar estagiários e aprendizes por meio do CIEE, as empresas não apenas investem na formação de novos profissionais, mas também ampliam as oportunidades de inclusão e desenvolvimento para esses jovens, contribuindo para a construção de um mercado de trabalho mais acessível, diverso e socialmente responsável.
– Quem também palestrou em nosso estande foi o professor, pesquisador e coordenador da Comissão de Recursos Humanos do CRA-RJ, Adm. Wagner Salles.
Na sua palestra “RH 5.0: Quando Conectar Não Basta”, ele abordou os desafios da gestão de pessoas em um cenário cada vez mais tecnológico e dinâmico. O Administrador destacou que, embora a tecnologia tenha ampliado as possibilidades de comunicação e colaboração, apenas conectar pessoas e organizações não é suficiente para construir ambientes de trabalho saudáveis, produtivos e inovadores.
Segundo Wagner Salles, o RH 5.0 deve atuar de forma estratégica, colocando as pessoas no centro das decisões e utilizando a tecnologia como uma ferramenta para potencializar o desenvolvimento humano. Nesse contexto, a Inteligência Artificial, a análise de dados e as plataformas digitais são recursos importantes, mas não substituem competências essenciais, como empatia, escuta ativa, inteligência emocional e liderança humanizada.
Outro ponto enfatizado foi a necessidade das organizações promoverem uma cultura de aprendizagem contínua, estimulando o desenvolvimento de novas competências técnicas e comportamentais. Em um mercado de trabalho em constante transformação, profissionais e empresas precisam estar preparados para aprender, desaprender e reaprender, acompanhando as mudanças impulsionadas pela inovação tecnológica.
Salles ressaltou que o papel do RH vai muito além dos processos de recrutamento e seleção. O setor deve atuar como agente de transformação organizacional, promovendo a inclusão, a diversidade, o bem-estar, a saúde mental e o desenvolvimento de lideranças capazes de inspirar equipes e fortalecer o engajamento dos colaboradores.
– “O futuro do trabalho começa com oportunidade.” Foi com essa frase que o Adm. Rodrigo Coelho, Diretor de Ações Estratégicas da Fundação Mudes, abriu sua participação no estande do CRA-RJ na Rio Innovation Week, propondo uma reflexão sobre cultura organizacional e recrutamento.
Para o palestrante, toda empresa produz cultura (mesmo que sem querer) e são as pessoas que a constroem. Por isso, Coelho reforçou que o processo de contratação em uma organização é de suma importância.
Rodrigo defende que recrutamento e seleção não combinam com pressa ou decisões intuitivas: é necessário técnica, e exige verificar quatro habilidades principais: competência, comportamento, cultura e potencial.
– O publicitário André Vasquez, da Agência Radiola, ministrou a palestra “A Cr(IA)tividade na Publicidade”, na qual apresentou uma reflexão sobre os impactos da Inteligência Artificial na comunicação e na publicidade.
Na apresentação, André destacou que a IA tem revolucionado o processo criativo, tornando mais ágil a produção de conteúdos, imagens, campanhas e estratégias de comunicação. No entanto, enfatizou que a tecnologia não substitui a criatividade humana, mas funciona como uma ferramenta de apoio para potencializar ideias, otimizar processos e ampliar as possibilidades de inovação.
André ressaltou ainda que a criatividade continua sendo um diferencial essencial para os profissionais da publicidade. Embora a Inteligência Artificial seja capaz de gerar textos, imagens e conceitos em poucos segundos, é o olhar humano que confere autenticidade, emoção, estratégia e propósito às campanhas. Por isso, o profissional da comunicação deve desenvolver competências para utilizar a IA de forma ética, crítica e criativa, transformando a tecnologia em uma aliada do processo de criação.
Como principal reflexão, o palestrante reforçou que o futuro da publicidade não será marcado pela substituição das pessoas pela tecnologia, mas pela colaboração entre criatividade humana e Inteligência Artificial. As organizações e os profissionais que conseguirem equilibrar inovação tecnológica, pensamento estratégico e sensibilidade humana estarão mais preparados para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades da nova era da comunicação.
– O Adm. André Marini, professor universitário e delegado do CRA-RJ em Portugal e nos países de língua portuguesa, apresentou na Rio Innovation Week o Congresso Internacional de Administração dos Países de Língua Portuguesa (CIAdm), iniciativa promovida pela autarquia.
Segundo Marini, o objetivo do Congresso é fortalecer a cooperação internacional, promovendo o intercâmbio de conhecimento entre profissionais e instituições de diferentes países. O evento também busca incentivar parcerias entre universidades, empresas e governos, além de promover a integração e o debate de temas estratégicos.
O CIAdm já discutiu temas como gestão, inteligência artificial, crise global e sustentabilidade. Ao longo das quatro edições realizadas até o momento, mais de 15 mil pessoas já se inscreveram no evento, com um total de 45 palestrantes participantes.
– Peter Sola, diretor e sócio da Radiola Publicidade, ministrou a palestra “Inovação x Tecnologia na Comunicação”. Em sua apresentação, o palestrante abordou os desafios e as oportunidades gerados pela transformação digital, destacando que inovação e tecnologia são conceitos complementares, mas que possuem significados distintos.
Peter ressaltou que a tecnologia representa um conjunto de ferramentas e recursos capazes de otimizar processos, ampliar a produtividade e possibilitar novas formas de atuação. Entretanto, a tecnologia, por si só, não é suficiente para gerar inovação. A inovação surge quando essas ferramentas são utilizadas de maneira estratégica, criativa e com propósito, criando soluções que atendam às necessidades das pessoas e agreguem valor às organizações.
Com sua experiência no mercado publicitário, o palestrante destacou a importância da criatividade como elemento fundamental para transformar recursos tecnológicos em novas oportunidades. Em um cenário marcado pelo avanço da Inteligência Artificial, da automação e das plataformas digitais, os profissionais precisam desenvolver uma visão inovadora, aliando conhecimento técnico, pensamento crítico e capacidade de adaptação.
A principal reflexão apresentada por Peter na palestra foi que a tecnologia oferece possibilidades, mas são as pessoas que dão sentido e direção à inovação. O futuro das organizações dependerá da capacidade de unir tecnologia, criatividade e talento humano para desenvolver soluções capazes de gerar impacto positivo e promover transformações sustentáveis.
– A Adm. Suellen Moraes, especialista em Diversidade, Equidade e Inclusão da Vale, realizou um pitch sobre como a diversidade pode se tornar um diferencial estratégico para as empresas.
Moraes afirmou que a diversidade alavanca a performance financeira das organizações, funcionando também como um diferencial importante na atração de talentos. Segundo ela, o sucesso das empresas a longo prazo está ancorado em três pilares: disponibilidade de talentos, inovação e agilidade, e expandir o leque na aquisição de talentos pode garantir a existência da empresa no futuro.
A Administradora destacou que uma força de trabalho diversa garante diferentes perspectivas, o que gera excelência operacional, especialmente em um mundo que muda tão depressa.
Para encerrar, a especialista da Vale deixou uma reflexão: o futuro pertence às empresas que sabem transformar diversidade em vantagem competitiva.
– Durante sua participação no estande do CRA-RJ na Rio Innovation Week, Nelson Rocha, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Estado do Rio de Janeiro, abordou os principais desafios do comércio exterior na atualidade.
Rocha explicou que a globalização como a conhecemos hoje teve início quando países industrializados passaram a transferir suas indústrias para nações em desenvolvimento em busca de menores custos. Atualmente, segundo ele, essas mesmas potências começam a repensar essa estratégia.
O palestrante citou ainda a atuação de Donald Trump como exemplo de protecionismo, ao adotar tarifas que dificultam a entrada de mercadorias de mercados concorrentes.
Ao falar do Rio de Janeiro, Rocha destacou o privilégio logístico do estado no comércio exterior e apresentou o ENCOMEX (Encontro Nacional de Comércio Exterior), que acontecerá em 17 de agosto, no Museu do Amanhã, com entrada gratuita.



