Por Vinicius Romão e Cristiane Muniz
Sob supervisão de Érika dos Anjos|
Chegando ao seu terceiro dia no Rio Innovation Week 2026, o estande do CRA-RJ no Píer Mauá consolida-se como um dos polos de maior efervescência e convergência entre tecnologia e gestão do evento. Sob o entusiasmo do presidente Adm. Wagner Siqueira em aproximar a categoria das grandes transformações globais, o Conselho manteve a energia em alta ao unir dinâmicas interativas gamificadas
a debates de densidade intelectual, o que mostra a importância da modernização contínua da autarquia para valorizar a Ciência da Administração no cenário contemporâneo.
Refletindo sobre a consolidação dessa presença disruptiva e o engajamento massivo dos profissionais, o presidente Wagner Siqueira reforçou o sentido dessa entrega para a categoria:
“Estar aqui pelo terceiro dia consecutivo com estande lotado é a confirmação de que os conselhos profissionais podem e devem liderar a inovação. Queremos que cada Administrador e Tecnólogo sinta orgulho de ver sua profissão no centro das discussões que moldam o mercado futuro, aliando tecnologia, pensamento crítico e novas oportunidades de carreira”, enumerou o Administrador.
Pitches
– O Adm. Hélio Meirim abriu a sessão de pitchs no estande do CRA-RJ no terceiro dia da Rio Innovation Week com o tema “Logística em Evolução”, onde defendeu que a logística do futuro já começou.
O palestrante destacou as principais tendências do setor: inteligência artificial integrada à previsão de demanda e ao planejamento de rotas; automação, com centros de distribuição automatizados e processos hands-free; o fim do estoque tradicional; e os gêmeos digitais (réplicas virtuais da operação usadas para prever gargalos e simular mudanças antes da execução real) e outras inovações que já estão ocorrendo.
Diante dessas mudanças, refletiu sobre o papel do profissional, que deixa de ser executor para se tornar orquestrador, migrando de especialista em mover caixas para especialista em mover dados.
– O Adm. Maurício Luz, membro da Comissão Especial de Governança Climática e Sustentabilidade do CRA-RJ, levou à Rio Innovation Week o pitch “Quando a inovação gera valor — e quando apenas transfere seus custos”, discutindo o conceito de bem comum na era da inovação tecnológica.
Para o palestrante, a lógica tradicional de inovação está relacionada à novidade, eficiência e escala, mas a lógica de hoje precisa considerar também o impacto social, os limites ambientais e uma governança responsável.
“Nem todo ganho é uma redução de valor. Às vezes é transferência de despesa”, afirmou, citando o conceito de externalidade, onde os efeitos de uma atividade econômica recaem sobre pessoas, comunidades e ecossistemas, mas ficam fora da conta das organizações.
“Inovação responsável é aquela que cria valor sem esconder ou ignorar seus custos”, finalizou.
– Já José Heriberto Costa, presidente da Associação dos Peritos Judiciais do Estado do Rio de Janeiro (APJERJ), mostrou os caminhos da perícia enquanto campo de trabalho em seu pitch “Perícia para Administradores”.
Para Heriberto, a perícia tradicional buscava mitigar problemas, enquanto a perícia moderna trabalha com atuação preventiva e estratégica, integrada à gestão de riscos, com processo mais ágil, tecnológico e analítico.
Ele ainda afirmou que a perícia preventiva não busca acabar com o compliance, mas cuidar do processo da empresa como um todo, e que o futuro da área passa pela inteligência artificial, pelo ESG, pela própria governança.
– O estande do CRA-RJ também recebeu o vice-presidente do CFA, Adm. Gilmar Camargo, e o diretor da Câmara de Serviços aos Registrados do CFA, Adm. Jaylson Mendonça, para um debate enriquecedor sobre o impacto da tecnologia e da inovação no ecossistema da nossa profissão.
Na conversa, os diretores ressaltaram que inovar vai muito além de acompanhar tendências tecnológicas: trata-se de transformar a rotina e utilizar novas ferramentas para aproximar cada vez mais o Sistema CFA/CRAs dos seus profissionais registrados.
Outro ponto de destaque foi a projeção internacional da categoria, impulsionada pela participação em iniciativas como a OLA e a Rede Internacional de Administração, que fortalecem a inserção do Administrador e promovem o intercâmbio de conhecimento no mercado global.
Por fim, reforçaram que a verdadeira essência da Administração é uma arte — a capacidade de planejar, gerenciar mudanças, conectar pessoas e promover transformações reais em toda a sociedade.
– Durante o Rio Innovation Week 2026, o estande do CRA-RJ recebeu a conselheira e coordenadora adjunta da Comissão Especial de Recursos Humanos, Adm. Rosangela Arruda, para um pitch inspirador sobre a relação entre tecnologia e fator humano.
Em sua apresentação, a especialista trouxe dados relevantes do Gartner e do Fundo Econômico Mundial sobre a transformação de milhões de funções no mercado de trabalho, provocando uma reflexão essencial: a inteligência artificial não veio para rivalizar com o ser humano, mas para ser uma ferramenta facilitadora subordinada ao propósito das pessoas.
Rosangela destacou competências que nenhuma máquina consegue replicar — como empatia, criatividade, julgamento ético e liderança com propósito —, ressaltando que, à medida que a automação avança, o diferencial competitivo das organizações está em investir no autoconhecimento, nas relações interpessoais e na humanização do trabalho.
Para a conselheira, gerir é a própria arte de transitar entre a ideia e a execução, conectando pessoas para transformar a sociedade.
– No Rio Innovation Week 2026, o estande do CRA-RJ foi palco de um debate essencial sobre sustentabilidade e o futuro dos negócios com o Adm. Alexandre Barbosa, coordenador da Comissão Especial de Governança Climática e Sustentabilidade (ESG) do Conselho.
Em sua palestra, Alexandre explicou que a gestão de carbono deixou de ser apenas um tema ambiental para se tornar um desafio central de gestão corporativa. O especialista abordou o conceito de Green IT, demonstrando como a otimização de softwares e algoritmos é fundamental para garantir a eficiência energética e a medição transparente das emissões de gases de efeito estufa.
Além disso, destacou a importância da infraestrutura digital dMRV (Digital Measurement, Monitoring, Reporting and Verification) para conferir rastreabilidade, auditabilidade e confiança ao mercado de carbono. Alexandre enfatizou que o avanço das regulamentações climáticas abre uma nova e promissora fronteira profissional para o Administrador, que assume o papel crucial de integrar dados, compliance e estratégias de descarbonização em todas as áreas da organização.
Como resumiu o coordenador, o software não reduz as emissões sozinho, mas a transição climática será impossível de gerenciar sem ele.
– O analista de educação do SEBRAE Alex Nogueira falou sobre o tema “Futuro das Profissões e Educação Empreendedora”, onde ele nos mostrou como o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e competitivo.
As organizações estão em busca de profissionais que reúnam tanto hard skills quanto soft skills, pois essas competências são fundamentais para enfrentar os desafios de um cenário em constante transformação.
As soft skills correspondem às habilidades comportamentais e socioemocionais, como escuta ativa, comunicação, oratória, resiliência, criatividade, inteligência emocional, trabalho em equipe, liderança e capacidade de adaptação. Essas competências permitem que o profissional se relacione de forma eficaz, tome decisões e encontre soluções para problemas complexos.
Já as hard skills são as competências técnicas que podem ser comprovadas por meio de diplomas, certificados, cursos, especializações e experiências profissionais. Elas representam o conhecimento específico necessário para desempenhar determinadas funções.
No entanto, apenas possuir conhecimentos técnicos não é mais suficiente. O mercado procura profissionais capazes de analisar situações, resolver problemas, inovar e gerar resultados para as organizações. Em outras palavras, as empresas valorizam pessoas que utilizam seus conhecimentos e habilidades para agregar valor e contribuir para o crescimento do negócio.
Outro aspecto destacado é que o conhecimento está em constante atualização. O que é considerado essencial hoje pode tornar-se obsoleto em pouco tempo devido aos avanços tecnológicos, às mudanças sociais e à transformação digital. Por isso, a aprendizagem contínua tornou-se uma competência indispensável para qualquer profissional.
Nesse contexto, a educação empreendedora desempenha um papel fundamental ao incentivar o desenvolvimento da autonomia, da criatividade, do pensamento crítico e da capacidade de identificar oportunidades e propor soluções inovadoras.
– O professor e palestrante Elson Teixeira apresentou o pitch “Competências & Gestão”. Durante sua apresentação, destacou a importância do desenvolvimento de competências para o sucesso profissional e organizacional, enfatizando que o mercado de trabalho exige profissionais capazes de combinar conhecimentos técnicos, habilidades práticas e atitudes alinhadas aos objetivos das organizações.
O palestrante ressaltou que a gestão por competências é uma estratégia essencial para identificar, desenvolver e potencializar os talentos das equipes, contribuindo para o aumento da produtividade, da inovação e da competitividade das empresas. Além disso, mencionou que, diante das constantes transformações do mercado, é indispensável investir em aprendizagem contínua, adaptabilidade, comunicação, liderança e capacidade de resolver problemas, competências que se tornaram diferenciais para os profissionais.
– “IA Gen como Componente da Transformação Digital nas Organizações” foi o tema escolhido para o pitch do professor Adm. Fernando Macedo, que destacou o papel da Inteligência Artificial Generativa como uma das principais tecnologias responsáveis pela transformação digital no ambiente corporativo.
Durante a apresentação, foi explicado que a IA Generativa é capaz de criar conteúdos, analisar informações, automatizar processos e apoiar a tomada de decisões, tornando as organizações mais eficientes, inovadoras e competitivas. Diferentemente de outras tecnologias, a IA Gen não apenas executa tarefas repetitivas, mas também auxilia na produção de textos, imagens, códigos, relatórios e análises, ampliando a produtividade das equipes.
Fernando ressaltou ainda que a transformação digital vai além da adoção de novas tecnologias. Ela exige mudanças na cultura organizacional, nos processos de trabalho e na forma como as empresas desenvolvem seus produtos, serviços e relacionamento com clientes. Nesse contexto, a Inteligência Artificial Generativa torna-se uma ferramenta estratégica para impulsionar a inovação, reduzir custos, otimizar recursos e melhorar a experiência dos usuários.
Por fim, o palestrante destacou que as organizações que investirem em transformação digital e no uso estratégico da Inteligência Artificial Generativa estarão mais preparadas para enfrentar os desafios do futuro, responder às mudanças do mercado e criar soluções inovadoras que gerem valor para clientes, colaboradores e para a sociedade.
– O Adm. Leonardo Ribeiro Fuerth, superintendente geral do CRA-RJ e mestre em Administração, levou à Rio Innovation Week a palestra “ADM MAKER: O motor da Inovação do CRA-RJ”, contando a trajetória de transformação tecnológica do conselho.
– A jornalista Érika dos Anjos, chefe da Comunicação do CRA-RJ, apresentou na Rio Innovation Week um pitch sobre comunicação omnichannel, destacando que a área é referência dentro do Sistema CFA/CRAs e que essa maneira de levar informação, aliada à tecnologia, é o motor que leva a organização adiante.
Érika explicou o conceito: uma abordagem integrada, que atinge as pessoas de forma coesa, entregando a mensagem a quem é de direito. Para ilustrar, deu um exemplo prático: “Você sai daqui na sexta-feira, vai tomar um chope e posta uma foto. Vai postar no LinkedIn ou no Instagram? Isso é comunicação omnichannel.”
Ela destacou ainda que é preciso conhecer o público e saber para quem se está falando, afinal, mesmo um público extenso ainda pode ser segmentado para obter resultados mais precisos.
– O palestrante Adm. Roberto Madruga apresentou o pitch “As Novas Tendências da Experiência do Cliente e do Cidadão”, onde destacou como as transformações tecnológicas e as mudanças no comportamento das pessoas estão redefinindo a forma como organizações públicas e privadas se relacionam com seus clientes e cidadãos.O Administrador enfatizou que oferecer um produto ou serviço de qualidade já não é suficiente. Atualmente, é essencial proporcionar uma experiência positiva em todos os pontos de contato, priorizando atendimento humanizado, agilidade, personalização e uso estratégico da tecnologia. Segundo ele, organizações que compreendem as necessidades de seus públicos conseguem fortalecer relacionamentos, aumentar a confiança e gerar maior satisfação e fidelização.
Outro assunto abordado foi a importância da transformação digital, da análise de dados e da inteligência artificial para conhecer melhor o perfil dos usuários, antecipar demandas e oferecer soluções mais eficientes. No setor público, essas práticas também contribuem para melhorar a prestação de serviços, ampliar a transparência e colocar o cidadão no centro das decisões.
Ao final, Madruga ressaltou que o futuro da experiência do cliente e do cidadão depende da integração entre inovação, tecnologia e gestão de pessoas. Para isso, é fundamental que as organizações desenvolvam uma cultura voltada para a escuta ativa, a melhoria contínua e a criação de valor, promovendo experiências cada vez mais eficientes, humanizadas e centradas nas necessidades das pessoas.
– Paola Domingues Jacob, presidente da Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (JUCERJA), apresentou pitch no stand do CRA-RJ na Rio Innovation Week abordando a legalização e registro de empresas e destacando os principais serviços oferecidos pela Junta.
Paola é a primeira mulher a presidir a JUCERJA, cargo que ocupa há pouco mais de um mês, embora já atue na casa há mais de 15 anos. A presidente contou que, em 2017, a instituição saiu do papel e se tornou totalmente digital, sem processos físicos, exceto nas delegacias. Os números comprovam o avanço: somente em 2025, foram abertas 86 mil novas empresas no estado do Rio de Janeiro, e a junta já digitalizou mais de 1 milhão de imagens. Como a instituição é 100% digital, o usuário pode utilizar os serviços de qualquer lugar.
Paola também falou sobre o RedeSIM, projeto que busca integrar os diversos órgãos envolvidos na abertura de um negócio, já que, a depender da atividade, é necessária a autorização de diferentes instâncias. Segundo ela, essa integração simplifica o processo e otimiza o tempo.
Na entrevista pós-pitch, o Adm. Wagner Siqueira, presidente do CRA-RJ e também vogal da Jucerja, reafirmou o compromisso da instituição para o bem comum da sociedade e do empreendedorismo fluminense.



