Por Vinicius Romão
Sob supervisão de Érika dos Anjos|
Dando continuidade à programação do ENCAD 2026 na manhã desta quarta-feira (9), David Dias subiu ao palco do Expo Rio para debater o impacto da Inteligência Artificial nos negócios. O palestrante propôs que os pilares clássicos da profissão, como governança, estratégia e liderança, não se tornaram descartáveis, mas estão com suas conformações e propósitos tradicionais vencidos diante da velocidade com que as mudanças ocorrem no mercado de trabalho atual.
Dias iniciou sua apresentação contextualizando a onipresença da tecnologia. Se há dois, três anos a utilização da IA era restrita a poucos profissionais, hoje ela se tornou o novo normal. Contudo, o palestrante alertou para a existência de um gargalo: o abismo entre simplesmente manusear as ferramentas e, de fato, gerar valor real por meio delas. Ele citou um estudo do MIT indicando que 95% das organizações atualmente não obtêm nenhum retorno financeiro ou produtivo com os investimentos na área.
Para ilustrar o ritmo acelerado do mercado atual, o palestrante exibiu uma peça publicitária produzida há apenas um ano e meio por quatro softwares distintos.
“Até três anos atrás, essas ferramentas sequer existiam, e duas delas já desapareceram hoje. A velocidade é essa. Empresas aparecem e desaparecem em um ritmo impressionante”, pontuou David, destacando que o custo de produção daquela campanha foi equivalente a apenas 10% do modelo tradicional. Como exemplo prático de geração de valor, ele apresentou o caso de um profissional de odontologia que investiu apenas 20 dólares em uma campanha viral gerada por IA e conseguiu lotar sua agenda de clientes.
Planejamento é a solução
Ao analisar o comportamento das empresas de alto desempenho, o consultor enfatizou a necessidade de intencionalidade e planejamento. Segundo ele, companhias maduras não buscam soluções isoladas, mas sim redesenhar seus fluxos de trabalho de ponta a ponta. Como exemplo global dessa transformação, ele citou a rede varejista Walmart. Ao implementar a IA de forma integrada a uma governança rígida, a companhia centenária registrou um crescimento global de 21% no comércio eletrônico e viu suas ações saltarem 13% na bolsa de valores logo após o anúncio de sua nova política tecnológica.
Em uma demonstração prática ao vivo no palco do evento, Dias utilizou o ChatGPT para simular uma jornada de compra e explicou que o avanço da autonomia dos algoritmos tem exigido a atualização constante de normas de mercado, como o Universal Commerce Protocol (UCP). Ele destacou que, em mais um ato de pioneirismo, a Walmart se aliou à OpenAI para viabilizar as primeiras vendas diretas intermediadas por um agente de IA.
Para os profissionais de Administração, o palestrante reforçou que o maior risco de mercado é a obsolescência da mão de obra. David apontou que competências técnicas do passado, como o domínio do pacote Office, tornaram-se pré-requisitos básicos, cedendo espaço para exigências de proficiência em plataformas como Gemini e Claude, além de habilidades analíticas e Big Data. No cenário nacional, ele apontou o setor financeiro e o Banco do Brasil como referências na geração de valor com a ferramenta.
O consultor encerrou sua participação convocando o público a mudar a postura mental e a forma de interagir com os novos modelos de linguagem.
“Para trabalhar bem com IA, o importante não é saber perguntar, mas sim saber comandar e gerenciar, dando instruções”, concluiu, reforçando o papel do Administrador na liderança ativa da tecnologia.
Assista ao evento completo aqui.



