Por Vinicius Romão
Sob supervisão de Érika dos Anjos|

Dando sequência aos debates sobre a vanguarda tecnológica no ENCAD 2026, o especialista Vinicius Siani ministrou, na manhã desta quarta-feira (9), a palestra “Letramento Digital: A Nova Necessidade Básica”. Em sua exposição no Expo Rio, Siani trouxe dados alarmantes sobre a inclusão digital no Brasil e defendeu que, no atual cenário de consolidação da Inteligência Artificial, o verdadeiro letramento digital reside na habilidade técnica e humana de utilizar as tecnologias especificamente para a geração de valor.

Siani traçou um panorama histórico para demonstrar que a conectividade no país cresceu de forma acelerada, mas sem o acompanhamento da maturidade crítica. Entre os anos de 2005 e 2025, o acesso à internet nos domicílios brasileiros saltou de 13% para 85%. No entanto, atualmente, 58% desse público acessa a rede de forma exclusiva pelo telefone celular. Para o palestrante, esse modelo de consumo de conteúdo estimula pouco o raciocínio e o desenvolvimento intelectual.

“Conteúdos massificados e gatilhos de compra por impulso é basicamente o que temos acesso por ali. O celular não te dá uma capacidade muito crítica em cima do que se está consumindo”, ponderou.

Essa limitação reflete diretamente nos indicadores de literação do país: cerca de 17% dos brasileiros com acesso à internet não ultrapassam o nível básico, figurando como meros consumidores passivos da tecnologia. Com a IA deixando de ser um papel de suporte para se tornar o eixo central das organizações, Siani advertiu que a falta de letramento digital dentro das empresas traz consequências severas, incluindo vulnerabilidades de cibersegurança, perda crônica de produtividade e elevação de custos operacionais, ou seja, um efeito completamente contrário ao esperado.

Humano como fator central

Na visão do especialista, os principais desafios desse processo de transição são de ordem humana, e não técnica.

“Passamos a ser educadores da IA, ao treinarmos nossos modelos”, afirmou, ressaltando que o profissional precisa dominar profundamente o processo analógico para ser capaz de instruir a máquina e direcionar o contexto correto, evitando dados falsos ou enviesados. Esse preparo técnico, segundo ele, é também a principal blindagem da sociedade contra ameaças cibernéticas futuras, como algoritmos extremistas e violentos:
“Quanto mais letrados, menos vítimas e mais preparados estamos para lidar com isso”.

Para orientar os gestores, Vinicius detalhou a jornada de implantação da IA nas corporações, que deve visar o aumento de produtividade, redução de riscos e aceleração de ganhos para obter vantagem competitiva. O processo é dividido em cinco etapas fundamentais: Discover (mapeamento do nível de letramento e ferramentas ocultas na rotina dos colaboradores); Empower (treinamento e alinhamento da IA aos valores da empresa); Deploy (geração ordenada e gerenciada de artefatos de IA); Sustain (fase de sustentação contínua); e Intelligence (análise dos dados gerados para elevar a inteligência do negócio).

Siani encerrou sua participação no evento convocando os administradores a adotarem uma mentalidade de educação permanente para enfrentar as próximas disrupções do mercado.

“Não podemos parar. Quem sabe o que mais vem depois da IA? Vamos precisar lidar com isso e precisar reaprender as mesmas coisas: como gerar valor? Como implementar? Então o aprendizado nunca para”, concluiu.

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